A física quântica e o pensamento humano

A New Scientist publicou em 2011 um artigo, mostrando que cientistas estão usando agora a lógica da física quântica para tentar explicar o processo envolvido no pensamento humano.

O mundo quântico desafia as regras da lógica comum. Partículas rotineiramente ocupam dois ou mais lugares ao mesmo tempo e nem sequer têm suas propriedades bem definidas até que sejam medidas.

Para que possamos entender como eles estabeleceram esta relação, é preciso conhecer um pouco da mecânica quântica. Para isso, nada mais adequado do que usarmos explicações práticas, já que a teoria é bastante complicada, para os iniciantes e desconhecedores da física.

A Experiência da Fenda Dupla

Uma das experiências que ajuda a distinguir a física quântica da física clássica é a Experiência da Fenda Dupla. Suponha que você pulverize algumas partículas em direção a uma placa com duas fendas, e estude os resultados projetados em uma tela. (veja o diagrama retirado do artigo original da New Scientist).

fenda dupla

Se fecharmos a fenda B, as partículas passam pela outra fenda formando um padrão projetado na tela. Se por sua vez, fecharmos a fenda A, um padrão semelhante se formará na tela. Mantendo ambas as fendas A e B, o padrão sugerido pela física clássica deveria ser a soma dos dois padrões, mas no mundo quântico isso não acontece. Quando um feixe de elétrons ou fótons passa pelas duas fendas, eles agem como ondas e produzem um padrão de interferência na parede. O padrão com A e B aberta não é apenas a soma dos dois padrões com A ou B abertos sozinhos, mas algo totalmente diferente, que alterna faixas claras e escuras. Para entender um pouco melhor, assista o vídeo a seguir, que explica esta experiência de maneira bem simples e didática.

Semelhanças com o pensamento

O artigo da New Scientist cita várias experiências, em que o autor, Mark Buchanan, procura relacionar as semelhanças entre a forma do pensamento humano, e a lógica envolvida na mecânica quântica. Uma delas foi feita no início de 1990, quando os psicólogos Amos Tversky e Eldar Shafir da Universidade de Princeton testaram o comportamento de algumas pessoas, em uma experiência de jogo simples. Os jogadores foram informados de que havia uma chance de ganhar US$ 200 ou perder US$ 100, e foram, então, solicitados a escolher se queriam ou não jogar o jogo pela segunda vez. Quando eram informados de que tinham ganho a primeira aposta (situação A), 69 por cento dos participantes escolheram jogar novamente. Se dissessem que tinham perdido (situação B), apenas 59 por cento queriam jogar novamente. Isso não é surpreendente? Mas quando eles não eram informados do resultado da primeira aposta (situação A ou B), apenas 36 por cento queriam jogar novamente.

A lógica clássica exigiria que a terceira probabilidade fosse igual à média das duas primeiras, mas isso não aconteceu. Como no experimento de dupla fenda, a presença simultânea de duas partes, A e B, parece ter levado a algum tipo de interferência estranha que não respeita probabilidades clássicas.

Outro exemplo de similaridade entre a nossa forma de pensar e a mecânica quântica, dado no artigo, diz respeito ao significado das palavras, que também muda de acordo com seu contexto. Por exemplo, você poderia pensar que se uma coisa, X, também é um Y, em seguida, um “X alto” também seria um “Y alto” – um carvalho alto é uma árvore alta, por exemplo. Mas isso não é sempre o caso. O chihuahua é um cão, mas um chihuahua alto não é um cão alto; “alto” muda de significado em virtude da palavra ao lado dele. “O conhecimento conceitual da estrutura humana é como se fosse quântica, porque o contexto desempenha um papel fundamental”, diz o Físico Diederik Aerts da Universidade de Bruxelas, Bélgica.

Assim: “A consciência cria realidade” é uma declaração que ganhou muita atenção em vários meios de comunicação alternativos em todo o mundo. E não se engane, a consciência tem  – e tem sido por algum tempo –  estudada por numerosos cientistas, especialmente em sua relação com a física quântica e como ela pode ser correlacionada com a natureza da nossa realidade.

Consciência inclui uma série de coisas. É a forma como percebemos nosso mundo, nossos pensamentos, nossas intenções e muito mais.

A afirmação de que “a consciência cria realidade” traz diferentes questões. Será que isso significa que nós, como indivíduos (e em um nível coletivo como uma raça humana) podemos moldar e criar qualquer realidade que gostaríamos para nós mesmos? Será que isso significa que podemos manifestar um certo estilo de vida, e atrair determinadas experiências? Isso acontece instantaneamente? Leva-se tempo? Como fazemos isso?

Embora ainda não seja possível responder essas perguntas com certeza científica absoluta, sabemos que sim, realmente existe uma correlação entre a consciência e o mundo material físico, de alguma maneira. O alcance dessa correlação (de novo a partir de um ponto de vista científico moderno) ainda não é bem compreendido, mas sabemos dessa correlação, e sabemos que há um forte significado.

3 comentários sobre “A física quântica e o pensamento humano

  1. Olá Sylvia! Bom dia. Muito bom trazer questões quânticas ao conhecimento do público em geral, contudo, o modo como surge na Física é muito complexo. Há um outro modo iniciado por Niels Bohr, onde ele enfatiza que nossa linguagem é pobre para uma satisfatória explicação dos fenômenos do microdomínio. Infelizmente, tal enfoque não foi adiante, porque não é interessante aos que detém o controle social. Prefere-se insistir em discutir a questão por onde sabidamente não haverá solução, ou seja, dentro da própria Física ou da Neurociência.
    A fragilidade dos nossos idiomas, por outro lado, está ao alcance de todos, embora nenhum escritor teve a coragem de transitar nesse domínio. Será que eles acham que os homens já se comunicam satisfatoriamente bem? Idiomas produzidos pelos tiranos há mais de dois mil anos atrás são, de fato, as únicas áreas do conhecimento humano totalmente desenvolvidas?
    Alguém em sã consciência acredita que estão corretas sentenças do tipo:….eu ando….?
    ….eu vejo….?
    ….eu falo…..?….
    Algum escritor já parou pra pensar se não houvesse a Terra, a luz, o ar,….?
    Tá certo que para os déspotas havia e ainda há a necessidade de cortar qualquer elo da NATUREZA com seus súditos afim de que esses viessem “comer” nas suas mãos, porém ainda hoje cultuarmos tais coisas em troca de privilégios dentro de uma sociedade doente,…Acho que não faz mais sentido, a não ser para os déspotas.
    Além disso, tamanha nossa dependência da NATUREZA, quem compartilha conosco em todas as “nossas” AÇÕES “, CADÊ O MODO VERBAL SUBMITIVO EM QUALQUER IDIOMA?
    De acordo com VYGOTSKY, ONRUBIA, e outros, tudo leva a crer que somente a partir desse reconhecimento da linguagem como parte indissolúvel de nós mesmos, é que poderemos nos entender como um todo e resolvermos as questões quânticas e da neurociência.
    Agradeço a oportunidade disponibilizada pelo seu post facilitadora dessa nossa comunicação, e adoraria evoluir nessa questão da revisão dos idiomas, no sentido de tornar explícito a participação de inúmeros atores em qualquer AÇÃO “executada” por qualquer sujeito único nos moldes dos idiomas atuais.
    Abraço,
    jÚlio pessaNha.

    1. Agradeço seu comentário, Júlio. Como Física quântica é uma área bastante complexa não me coube explicitar a fundo a matéria. A mim cabe informar apenas. Deixo a exposição científica a pessoas como você, que estudam os fenômenos quânticos com mais profundidade. Caso o leitor tenha sede de saber mais da área, creio que meu post despertará essa curiosidade.
      Abraço da Sylvia

      1. Sylvia, boa noite!
        Acho que não fui feliz no tipo de comentário a respeito do seu belo post, e longe de ter a intenção em desestimular a trazer mais e mais post sobre física quântica ou qualquer outro tema. O verdadeiro propósito do meu comentário foi tentar provocar um possível comentário seu a respeito da insuficiente linguagem clássica relativamente à elucidação de fenômenos do microdomínio. Adoraria obter da conceituada escritora uma visão pessoal dessa limitação da linguagem, se é que isso de fato procede.
        Eu, eu tive o maior prazer em me deparar com o seu post e entendi perfeitamente o seu propósito.
        Abraço,
        jÚlio pessaNha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s